domingo, 4 de novembro de 2007

Depois de um longo silêncio.




Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque tirava boas notas.
Mas aí na 3ª série eu tirei um seis que me rendeu um dos mais inesquecíveis esporros que eu já levei.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque não fazia bagunça.
Mas aí eu entendi que aquelas mesmas pessoas que faziam bagunça eram mais honestas com a vida do que eu.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque era muito inteligente.

Aí eu descobri pessoas mais inteligentes do que eu e, mais importante do que inteligentes, mais lúcidas do que eu.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque fazia algo melhor do que todo mundo, era só questão de achar o que era.
Essa teoria eu nunca consegui comprovar.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque sempre fui mais maduro para a minha idade do que elas.
Mas aí eu descobri que a minha maturidade estava mais no meu discurso do que nos meus atos.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque passei de primeira para medicina numa faculdade pública
Mas aí eu entendi que a jornada de cada um rumo ao profissional que se tornarão não têm absolutamente nada a ver com a carga horária cumprida na faculdade, muito menos com a faculdade em si.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque tinha um futuro brilhante à minha frente.

Mas aí eu descobri que futuro é aquilo que vem depois do presente, e depende um bocado do que se faz no presente. Apesar de não ser totalmente aleatória, a vida não é um jogo de cartas marcadas.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque seguia as regras do jogo independente de qualquer coisa.
Aí eu entendi que regras são feitas para serem quebradas.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque não usva drogas.

Aí eu descobri que desde o início do tempo as pessoas usam drogas por um motivo ou por outro, que nenhuma civilização, sem exceção, prescindiu das drogas, e portanto eu era uma aberração.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque nunca matei.

Até descobrir que, movido pela emoção certa, eu sou capaz de matar como qualquer outra pessoa.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque eu era um bom samaritano.

Até descobrir dentro de mim uma criatura tão perversa quanto bondosa é sua aparência.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque sabia dar valor às amizades que eu tenho.
Até me ver me perdendo dos meus amigos de verdade.


Antigamente eu achava que era melhor do que as outras pessoas porque nunca tinha dado as costas a alguém que me tivesse amado de verdade.
Até hoje.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Disease and terror!

Frase genial de uma música toda genial chamada "Here come the bombs". Quem canta é o Ima Robot.

"We don't charge extra touching fees, so touch me please".

Vai dizer que não é um barato? :D

É isso, por ora,
até a próxima ;)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Comfortably numb




Hello (hello)Hello (hello)

Is there anybody in there?

Just nod if you can hear me

Is there anybody home?

Come on now

I hear you're feeling down

Well I can ease your pain

And get you on your feet again

Relax...

I need some information.. first (first)

Relax...

Just don't face the facts

Can you show me where it hurts

There is no pain you were recedin

gA distant ship locked on the horizon

You're only coming through in waves

Your lips move but I can't hear watcha saying

When I was a child I caught a fever

My hands looked like two balloons

Now i've got that feeling once again

I can't explain to youBut if our love is near

This is how I am

I've been Com-comfortably Numb

Ok (ok)It's just a little pin-prick

There'll be no more Hi

But you may feel a little sick

Can you stand up now

I do believe It's working(uh huh) (uh huh)

Gotta keep it going through the show

C'mon it's time to goC'mon it's time to go

C'mon it's time to goC'mon it's time to go

There is no pain you were receding

A distant ship locked on the horizon

You're only coming through in waves

Your lips move but I can't hear watcha saying

When I was a child I caught a faint glimpse

Out of the corner of my eyeI turned to look but it was gone

To get up on my feet but ohh the child has grown

The dream is goneI've been Com-com-fortably Numb

I've been Com-com-fortably Numb

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Dos bloqueios criativos.


Senhores, estou com um bloqueio pra escrever.


Idéias pro NaNoWriMo (que vou explicar mais perto de quando ele chegar), algumas. Meus dois livros (sim, tenho projeto de dois livros, e de vez em quando eu pego pra adicionar algumas coisas novas) também com algumas idéias. Pra posts, uma meia dúzia. Ótimos, então vamos escrevê-las.


Certo... escrevescrevescreve, apagapagapaga, sucessivamente.


Nessas horas eu agradeço por não depender da escrita para pagar as minhas contas.


Minha musa é bem temperamental, aparece e desaparece quando bem entende (como se fosse uma atriz mimada que quer camarim próprio, toalhas brancas fervidas, champagne, ah, vá se catar!)


Eu quero e vou escrever um post até o fim, com ou sem musa pra me ajudar.


Certo, respira fundo...


É, espero que volte logo do seu passeio, a minha musa.


Até a próxima ;)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Do Terry Pratchett (seja lá ele quem for, ou o que ele faça)

Eu acabei por coincidência achando esse video aqui no Youtube, fala do começo de um mundo que foi feito por Terry Pratchett, que ainda não conheço (nem o mundo nem seu autor).
Um dos meus sonhos sempre foi criar um mundo, e seus personagens, e suas lendas. Estou no caminho de fazer isso na verdade, mais isso é um projeto mais pra frente (não muito).

Fiquei um tempinho sem postar aqui, mas agora vou voltar a ter um pouco mais de regularidade, se meu pragmatismo e a pós-graduação me permitirem.

Até a próxima ;P

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Letras e música, parte I




Essa imagem é de um vídeo chamado "A quoi ça sert l'amour?" que, apesar de a música ser em francês, é auto-explicativo.


Eu tava lendo esses dias o blog da Nina Lotus, e encontrei um texto sobre as diferenças entre homens e mulheres, e como as pessoas do meu tempo acabaram lidando com a coisa. Resolvi levar este texto aqui a termo, então, pra dar seguimento à discussão.

(Emílio Dantas - Quem pode dizer que não?)

Era incompatível

Mas incrível era a maneira de ser vivo

Só pelo fato de não compatibilizar

Simples e claro assim como na escuridão

É confuso de se enxergar

Era inconsciente, por escolha, não saber o que era a gente

Linda displicencia de deixar pra lá

Como sincronizar as batidas dos seus pés no chão

No compasso do meu coração


Há quem fale em feminismo e direitos iguais entre homens e mulheres. São idéias discutidas há algum tempo na nossa sociedade. Não dá muito certo porque o fato é que há sim diferenças entre homens e mulheres, e essa coisa enxertada de ignorá-las acaba gerando um certo desconforto. Como não podia deixar de ser, nossa sociedade especial (cheia de especialistas) que sabe mais do que qualquer outra que já pisou nesse planeta (até parece) adicionou a essas idéias que tratam de homens e mulheres o mote: "mas celebrando as diferenças". O que infernos eles querem dizer com isso?

Não sei muito bem, mas provavelmente viram que feminilidade rende lucro, grana, e por isso optaram pelo adendo. Se assemelha muito ao código contraditório que nos é transferido todos os dias que nos torna ansiosos, desorientados e nos faz perder a noção do que de fato é necessário nas nossas vidas e dos riscos e benefícios que podemos nos permitir. Em suma, nos torna consumidores de não sei o que, não sei por que.


Já dizia o menininho de Um tira no jardim de infância, cujo pai era ginecologista: "Meninos têm pênis, meninas têm vagina". Certo, menininho, mas as diferenças vão muito além desta bastante evidente. Talvez até seja este mesmo o começo das diferenças, o biológico.


O aparelho reprodutor do homem é estruturado para fecundar a maior quantidade de mulheres possível, de forma a passar adiante seus genes (de acordo com a teoria do gene egoísta de Dawkins, ou o que eu acho que ela diz, não pensem que eu li Dawkins) ou sei lá o que. Sendo assim, a idéia inicial é relacionar-se com a maior quantidade possível de mulheres, o que não tem nada a ver com afeto.


Já as mulheres precisam investir em média 36 semanas na vida que pretendem gerar. O elo entre mães e filhos é muito mais intenso e evidente do que o de um pai. Este investimento está presente na forma com que mulheres lidam com os relacionamentos, é o que faz com que para investir em um relacionamento, a mulher precise necessariamente desinvestir nos relacionamentos anteriores.


O aparelho reprodutor feminino é uma conjunção de fenômenos e ciclos, todo marcado por momentos, em função das células tão preciosas que são os óvulos (é, em suma, lindo) enquanto que o do homem é melhor descrito como linear e constante, que gira em função de células infindáveis. Sendo assim, as condições quem impõe é a mulher. Ao homem resta correr atrás destas condições.


Isto posto, não parece absurdo querer tratar tudo como uma e a mesma coisa? Pois é.
Há quem a essa altura do texto esteja pensando que não é bem assim que acontece, que conhece milhares de situações totalmente diversas do que foi colocado. Eu não estou com este texto pretendendo falar do que a dialética homem-mulher é, mas em cima do que ela é construída. E o fato é que a forma com que lidamos com essa diferença (negá-la, inclusive) é uma obra feita a várias mãos, que começa no dia em que nascemos e acaba incompleta no dia em que morremos.

Há também quem pense que, desta forma, homens e mulheres estão fadados a se machucar e se enganar, e se decepcionar indefinidamente até o apocalipse, tamanha a diferença entre os pontos de vista e as formas de se lidar com essa questão tão fundamental.

Até onde eu entendo, esse equilíbrio tão desequilibrado, frágil e penoso são o que torna o amor algo tão absurdamente belo.

E se o coveiro se apaixonar pela morte?

Se o azar quiser beijar a sorte?

Se o fim resolver ficar mais perto do começo, quem pode dizer que não?

Era essa vontade de metade pra quem sabe ser inteiro

Mesmo que a vontade também fosse meio

Confuso e escuro assim como é simples chegar

Quando tudo se clarificar

Era a conclusão de que isso tudo era ilusão

Como se fosse a única coisa real

Como não entender o sorriso que vem ao querer

Esse seu doce gosto de sal


É isso, até a próxima ;)

P.S.: A música é de Emílio Dantas, vale muito a pena conhecer o novo trabalho dele: http://www.emiliodantas.com.br/

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Das seis bilhões a minha volta, ou Dance, Monkeys Dance!!

Este vídeo do Youtube, chamado "Dance, monkeys, dance!", fala muito do que sinto com relação às pessoas.

Às vezes eu as amo, às vezes eu as odeio, às vezes eu as admiro do fundo do coração, com a mesma força que eventualmente as desprezo. Odeio a forma com que elas me tornam vulnerável. Pelos meus sentimentos, pelas minhas fraquezas, pelo amor que eventualmente devotam a mim, as pessoas conseguem me mobilizar, e desfazer as minhas tolas ilusões sobre a vida. Eu as odeio porque elas me mostram que eu sou humano e cheio de erros.

Talvez o que me torne as pessoas tão insuportáveis seja exatamente o fato de elas serem tão insuportavelmente belas.

Até a próxima ;)